linda e competente
sábado, 26 de outubro de 2002
sábado, 5 de outubro de 2002
(conjunto arquitetônico da pampulha - oscar niemeyer)
só para dizer que o show do gilberto gil, em comemoração ao dia da ecologia (de são francisco, na verdade) e ao projeto de recuperação da lagoa da pampulha, foi emocionante. não só pelo moço, e sua música, mas pelo lugar: a praça são francisco, onde cresci, é um cenário lindo! além disso, belo horizonte é uma das poucas cidades onde podemos ir para a multidão sem receio. foi ótimo, pena que eu estava sem certa companhia.
para frida e lóri:
meia-noite e um
não se preocupe
gatinha borralheira
aquela estória
da carruagem de Cinderela
é uma grande abobrinha
(Romeu Montecchio)
meia-noite e um
não se preocupe
gatinha borralheira
aquela estória
da carruagem de Cinderela
é uma grande abobrinha
(Romeu Montecchio)
Neste momento, está a Frida no meu colo, a ronronar. De tamborim que mia a geladeira velha, quanta manha...
Frida
(Madame Riviere, sobre Ingrés - Melinda Copper)
Lóri
(La Velata, sobre Raphael - Melinda Copper)
(Madame Riviere, sobre Ingrés - Melinda Copper)
Lóri
(La Velata, sobre Raphael - Melinda Copper)
É amanhã... eleições e aniversário de namoro!
A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que adormecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não
Sei lá,
Sei lá
Só sei que é preciso paixão... já diriam Toquinho e Vinicius. E eu aqui, estetizando a política, politizando a estética, para viver um grande amor, em paz!
A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que adormecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não
Sei lá,
Sei lá
Só sei que é preciso paixão... já diriam Toquinho e Vinicius. E eu aqui, estetizando a política, politizando a estética, para viver um grande amor, em paz!
quarta-feira, 2 de outubro de 2002
HISTÓRIA
Nossa história é assim:
Vamos pras Índias!
Dias e dias os horizontes se repetem
- Olha! Melhor mesmo é buscar vento mais pro fundo
Uma tarde um marujo disse:
- Ué! Que terra é essa?
Velas baixaram E desembarcaram
- Terra como é teu nome?
Cortaram pau Saiu sangue
- Isso é Brasil!
No outro dia
o sol do lado de fora assistiu missa
Terra em que Deus anda de pés no chão!
Outros chegaram depois Outros Mais outros
- Queremos ouro!
A floresta não respondeu
Então
eles marcharam por uma geografia-do-sem-lhe-achar-fim
Rios enigmáticos apontavam o Oeste
A água obediente conduziu o homem
Começou então um Brasil sem-história-certa
A terra acordou-se com o alarido de caça
de animais e de homens
Mato-grande foi cúmplice nas novas plantações de sangue
Mulher foi espremer filho no escondido
E veio o negro
Trouxe o sol na pele
e uma alma de nunca-mais carregada de vozes
Foi desbeiçar terra
Alargaram-se as lavouras
Brasil encheu-se de queixas de monjolo
Sol espalhou verão nos canaviais das fazendas
O mato escondeu escravos
com inscrições de chicote no lombo
Em noite rural
Os bruxos reuniram-se para experimentar forças contra o branco
Deus montou num trovão que se quebrou na floresta
Árvores tinham medo que o céu caísse
Brasil-nenê foi crescendo...
O sol cozinhou o homem
e a geografia determinou os acontecimentos
Um dia
O capitão Pedro Teixeira com 1000 canoas ô ô
entrou águas-arriba no Amazonas
acordando aquela imensidão sem dono
O Brasil embarrigou para o Oeste
(Raul Bopp)
Nossa história é assim:
Vamos pras Índias!
Dias e dias os horizontes se repetem
- Olha! Melhor mesmo é buscar vento mais pro fundo
Uma tarde um marujo disse:
- Ué! Que terra é essa?
Velas baixaram E desembarcaram
- Terra como é teu nome?
Cortaram pau Saiu sangue
- Isso é Brasil!
No outro dia
o sol do lado de fora assistiu missa
Terra em que Deus anda de pés no chão!
Outros chegaram depois Outros Mais outros
- Queremos ouro!
A floresta não respondeu
Então
eles marcharam por uma geografia-do-sem-lhe-achar-fim
Rios enigmáticos apontavam o Oeste
A água obediente conduziu o homem
Começou então um Brasil sem-história-certa
A terra acordou-se com o alarido de caça
de animais e de homens
Mato-grande foi cúmplice nas novas plantações de sangue
Mulher foi espremer filho no escondido
E veio o negro
Trouxe o sol na pele
e uma alma de nunca-mais carregada de vozes
Foi desbeiçar terra
Alargaram-se as lavouras
Brasil encheu-se de queixas de monjolo
Sol espalhou verão nos canaviais das fazendas
O mato escondeu escravos
com inscrições de chicote no lombo
Em noite rural
Os bruxos reuniram-se para experimentar forças contra o branco
Deus montou num trovão que se quebrou na floresta
Árvores tinham medo que o céu caísse
Brasil-nenê foi crescendo...
O sol cozinhou o homem
e a geografia determinou os acontecimentos
Um dia
O capitão Pedro Teixeira com 1000 canoas ô ô
entrou águas-arriba no Amazonas
acordando aquela imensidão sem dono
O Brasil embarrigou para o Oeste
(Raul Bopp)
terça-feira, 1 de outubro de 2002
vai de mon amour
blusa de abajur
óculos escur apaziguando o sol
no domingo a caminho da praça
óculos ray-ban
raio de tupã
no pulso pulseira, no corpo collant
mostra a pele pelo rasgo da calça
pode ser de farda ou fralda
arrastando o véu da cauda
jóia de bijouteria
lantejoula e purpurina
manto de garrafa pet
tatuagem de chiclete
de coroa ou de cocar
pode se misturar
na massa
na massa
na massa
na massa
some na massa
sai de chafariz
bico de verniz
saia de safári sorriso de miss
camiseta de che guevara
plástico metal
árvore de natal
de biquini xale bata ou avental
e uma pinta pintada na cara
pode vir de esporte ou gala
de uniforme com medalha
braço cheio de pacote
nada debaixo do short
transbordando seu decote
gargantilha no cangote
(Arnaldo Antunes/Davi Moraes)
Achei essa música a cara da Créia!
Apontamento
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mil pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçaram-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e riem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A mnha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem porque ficou ali.
(Álvaro de Campos)
Poema encontrado, hoje, pela visão que tenho, caco que é, de Lindus.
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mil pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçaram-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e riem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A mnha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem porque ficou ali.
(Álvaro de Campos)
Poema encontrado, hoje, pela visão que tenho, caco que é, de Lindus.
Favela
Meio-dia
O morro coxo cochila
O sol resvala dezagarzinho pela rua
torcida como uma costela
Aquela casa de janelas com dor-de-dente
amarrou um coqueiro do lado
Um pé de meia faz exercício no arame
Vizinha da frente grita no quintal:
- João! Ó João!
Bananeira botou as tetas do lado de fora
Mamoeiros estão de papo inchado
Negra acocorou-se a um canto do terreiro
Pôs as galinhas em escândalo
Lá embaixo
passa um trem de subúrbio riscando fumaça
À porta da venda
negro bocejou como túnel
(Raul Bopp)
O morro, a cavaleiro da cidade, cujas luzes brilham ao longe. Platô da terra com casario ao fundo, junto ao barranco, defendido, à esquerda, por pequena amurada de pedra, em semi-círculo, da qual desce um lance de degraus. Noite de lua, estática, perfeita. No barraco de Orfeu, ao centro, bruxuleiam lamparinas. Ao levantar o pano, a cena é deserta. Depois de um prolongado silêncio, começa-se a ouvir, distante, o som de um violão plangendo uma valsa que pouco a pouco se aproxima, num tocar divino, simples e direto como uma fala de amor. Surge o Corifeu.
(Orfeu da Conceição - Vinicius de Moraes)
(Cidade de Deus - Fernando Meirelles)
Outros tempos, sensibilidades diversas. Há distância entre as imagens e o real. Mas percebe-se a realidade diretamente, sem imagens?
Meio-dia
O morro coxo cochila
O sol resvala dezagarzinho pela rua
torcida como uma costela
Aquela casa de janelas com dor-de-dente
amarrou um coqueiro do lado
Um pé de meia faz exercício no arame
Vizinha da frente grita no quintal:
- João! Ó João!
Bananeira botou as tetas do lado de fora
Mamoeiros estão de papo inchado
Negra acocorou-se a um canto do terreiro
Pôs as galinhas em escândalo
Lá embaixo
passa um trem de subúrbio riscando fumaça
À porta da venda
negro bocejou como túnel
(Raul Bopp)
O morro, a cavaleiro da cidade, cujas luzes brilham ao longe. Platô da terra com casario ao fundo, junto ao barranco, defendido, à esquerda, por pequena amurada de pedra, em semi-círculo, da qual desce um lance de degraus. Noite de lua, estática, perfeita. No barraco de Orfeu, ao centro, bruxuleiam lamparinas. Ao levantar o pano, a cena é deserta. Depois de um prolongado silêncio, começa-se a ouvir, distante, o som de um violão plangendo uma valsa que pouco a pouco se aproxima, num tocar divino, simples e direto como uma fala de amor. Surge o Corifeu.
(Orfeu da Conceição - Vinicius de Moraes)
(Cidade de Deus - Fernando Meirelles)
Outros tempos, sensibilidades diversas. Há distância entre as imagens e o real. Mas percebe-se a realidade diretamente, sem imagens?
CATA-PIOLHO DO REI DO CONGO
(embalo de rede)
Ó cata-piolho
me empresta o teu sono
Os zoinhos piquininho
já quase fechou
O sono entrou nos zóio
Afundou na escuridão
A piroca piruquinha
tá molinha. Moleceu
Já são quatro Já são oito
Eu vou ver quem é que vem
Tá chegando o Presidente
no seu palácio real
Já são sete Já são oito
O rei Congo chegou
Chegou com elefantes
sapato de verniz
Iaiá fez quentinho
Rei Congo drumiu
Papagaio pena verde
ai, me conte que tu viu
O elefante foi à guerra
mas morreu o capitão
Deixou um anel de prata
e um tambor de papelão
Ai já vem chegando o sono
numa rede de algodão
Pra fazer um dormezinho
Pum-pum Para-ti Pum
Rei Congo Sorongo
sapato de verniz
Iaiá fez quentinho
Cante bem devagarzinho
Pum-pum Para-ti Pum
(Raul Bopp)
(embalo de rede)
Ó cata-piolho
me empresta o teu sono
Os zoinhos piquininho
já quase fechou
O sono entrou nos zóio
Afundou na escuridão
A piroca piruquinha
tá molinha. Moleceu
Já são quatro Já são oito
Eu vou ver quem é que vem
Tá chegando o Presidente
no seu palácio real
Já são sete Já são oito
O rei Congo chegou
Chegou com elefantes
sapato de verniz
Iaiá fez quentinho
Rei Congo drumiu
Papagaio pena verde
ai, me conte que tu viu
O elefante foi à guerra
mas morreu o capitão
Deixou um anel de prata
e um tambor de papelão
Ai já vem chegando o sono
numa rede de algodão
Pra fazer um dormezinho
Pum-pum Para-ti Pum
Rei Congo Sorongo
sapato de verniz
Iaiá fez quentinho
Cante bem devagarzinho
Pum-pum Para-ti Pum
(Raul Bopp)
segunda-feira, 30 de setembro de 2002
Eros e Psiquê
Conta a lenda que dormia
Uma princesa encantada
A quem só despertaria
Um infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que a princesa vem.
A princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma guirlanda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia.
(Fernando Pessoa)
Conta a lenda que dormia
Uma princesa encantada
A quem só despertaria
Um infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que a princesa vem.
A princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma guirlanda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia.
(Fernando Pessoa)
sábado, 28 de setembro de 2002
Debaixo d'água
Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
(Arnaldo Antunes)
Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
(Arnaldo Antunes)
E passou o aniversário do Lindus, e eu nem pude comparecer! Que puxa...
E na vida, se tudo pode acontecer..., lhe desejo o melhor; ou melhjor, o meu desejo...
se tudo pode acontecer...
se pode acontecer qualquer coisa
um deserto florescer
uma nuvem cheia não chover
pode alguém aparecer
e acontecer de ser você
um cometa vir ao chão
um relâmpago na escuridão
e a gente caminhando de
mão dada de qualquer maneira
eu quero que esse momento
dure a vida inteira
e além da vida ainda
de manhã no outro dia
se for eu e você
se assim acontecer
se tudo pode acontecer...
(Arnaldo Antunes/Paulo Tatit/Alice Ruiz/João Bandeira)
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