Fragmento de conversa
Pois, bem... esse negócio do olhar me é uma coisa tão importante, quanto complicada! Primeiro, pq é um assunto que me intriga, e vira tema de pesquisa. Depois, pq há quem tenha um olhar que que me entra pelos olhos, investiga minha alma, se demora lá dentro, e depois me foge. Em terceiro lugar, por haver esse olhar, que também exploro, confronto e sustento, com meu próprio olhar; mesmo que, às vezes, as pupilas se fechem para mim. Por fim, o que é mais complicado: a vida é o que se vê nos olhos dos outros (Virginia Woolf); seja por reflexo, seja por projeção. Portanto, parte das cores que vemos nos olhares, são imagens do que queremos ver. E ai, onde está a verdade? Em nós mesmos? Quanto as imagens possuem de real, ou de engano?
quinta-feira, 11 de agosto de 2005
quarta-feira, 10 de agosto de 2005
Ver e Traçar
Há uma imensa diferença entre ver uma coisa sem o lápis na mão e vê-la desenhando-a.
Ou melhor, são duas coisas muito diferentes que vemos. Até mesmo o objeto mais familiar a nossos olhos torna-se completamente diferente se procurarmos desenhá-lo: percebemos que o ignorávamos, que nunca o tínhamos visto realmente. O olho até então servira apenas de intermediário. Ele nos fazia falar, pensar; guiava nossos passos, nossos movimentos comuns; despertava algumas vezes nossos sentimentos. Até nos arrebatava, mas sempre por efeitos, conseqüências ou ressonâncias de sua visão, substituindo-a, e portanto abolindo-a no próprio fato de desfrutar dela.
Mas o desenho de observação de um objeto confere ao olho certo comando alimentado por nossa vontade. Neste caso, devemos querer para ver e essa visão deliberada tem o desenho como fim e como meio simultaneamente.
Não posso tornar precisa minha percepção de uma coisa sem desenhá-la virtualmente, e não posso desenhar essa coisa sem uma atenção voluntária que transforme de forma notável o que antes eu acreditava perceber e conhecer bem. Descubro que não conhecia o que conhecia: o nariz de minha melhor amiga...
Ou melhor, são duas coisas muito diferentes que vemos. Até mesmo o objeto mais familiar a nossos olhos torna-se completamente diferente se procurarmos desenhá-lo: percebemos que o ignorávamos, que nunca o tínhamos visto realmente. O olho até então servira apenas de intermediário. Ele nos fazia falar, pensar; guiava nossos passos, nossos movimentos comuns; despertava algumas vezes nossos sentimentos. Até nos arrebatava, mas sempre por efeitos, conseqüências ou ressonâncias de sua visão, substituindo-a, e portanto abolindo-a no próprio fato de desfrutar dela.
Mas o desenho de observação de um objeto confere ao olho certo comando alimentado por nossa vontade. Neste caso, devemos querer para ver e essa visão deliberada tem o desenho como fim e como meio simultaneamente.
Não posso tornar precisa minha percepção de uma coisa sem desenhá-la virtualmente, e não posso desenhar essa coisa sem uma atenção voluntária que transforme de forma notável o que antes eu acreditava perceber e conhecer bem. Descubro que não conhecia o que conhecia: o nariz de minha melhor amiga...
[...]
A vontade continuada é essencial ao desenho, pois o desenho exige a colaboração de aparelhos independentes que estão sempre pedindo para resgatar os automatismos que lhes são próprios. O olho quer vagar; a mão arredondar, tomar a tangente. [...]
Ver linhas e traçá-las. Se nossos olhos comandassem mecanicamente um estilo de traçar, bastaria olhar um objeto, isto é, seguir com o olhar as fronteiras das regiões diversamente coloridas, para desenhá-lo exata e involuntariamente. Desenharíamos, do mesmo modo, o intervalo de dois corpos, que, para a retina, existe tão nitidamente quanto um objeto.
Mas o comando da mão pelo olhar é bastante indireto. Muitas etapas intervêm: entre elas, a memória. Cada relance de olhos para o modelo, cada linha traçada pelo olho torna-se elemento instantâneo de uma lembrança, e é de uma lembrança que a mão sobre o papel vai emprestar sua lei de movimento. Há transformação de um traçado visual em traçado manual. Mas essa operação é suspensa na duração da persistência daquilo que chamei “elemento instantâneo de lembrança”. [...]
O artista avança, recua, debruça-se, franze os olhos, comporta-se com todo o corpo como um acessório de seu olho, torna-se por inteiro órgão de mira, de pontaria, de regulagem, de focalização.
Ver linhas e traçá-las. Se nossos olhos comandassem mecanicamente um estilo de traçar, bastaria olhar um objeto, isto é, seguir com o olhar as fronteiras das regiões diversamente coloridas, para desenhá-lo exata e involuntariamente. Desenharíamos, do mesmo modo, o intervalo de dois corpos, que, para a retina, existe tão nitidamente quanto um objeto.
Mas o comando da mão pelo olhar é bastante indireto. Muitas etapas intervêm: entre elas, a memória. Cada relance de olhos para o modelo, cada linha traçada pelo olho torna-se elemento instantâneo de uma lembrança, e é de uma lembrança que a mão sobre o papel vai emprestar sua lei de movimento. Há transformação de um traçado visual em traçado manual. Mas essa operação é suspensa na duração da persistência daquilo que chamei “elemento instantâneo de lembrança”. [...]
O artista avança, recua, debruça-se, franze os olhos, comporta-se com todo o corpo como um acessório de seu olho, torna-se por inteiro órgão de mira, de pontaria, de regulagem, de focalização.
(Degas Dança Desenho – Paul Valéry)
Até Pensei
(Chico Buarque - 1968)
Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caía
Toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade
Morava tão vizinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha
Junto a mim morava minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dona dos olhos nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu andava pobre
Tão pobre de carinho
Que, de tolo
Até pensei que fosses minha
Toda a dor da vida
Me ensinou essa modinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha
terça-feira, 9 de agosto de 2005
domingo, 7 de agosto de 2005
sexta-feira, 5 de agosto de 2005
- Linhas e cores quase me persuadem de que também posso ser heróico, eu, que faço frases com facilidade, e depressa sou seduzido, amo o que vem a seguir, e não posso fechar meu punho, mas vacilo debilmente fazendo frases, conforme minhas circunstâncias. Agora, através da minha própria fragilidade, recupero o que ele foi para mim: o meu oposto.
(As ondas – Virginia Woolf)
quinta-feira, 16 de dezembro de 2004
Lista de Broca Oculta
1 – René: aberto a emoções! Emoções positivas, tipo: bombom de bacuri, doce de cupuaçu, sorvete ou torta de mangaba, um araçá azul. Um beijinho doce, que foi ele quem trouxe, de longe pra mim...
2 – Dani: Coisinhas gostosinhas... Hummm... Doce, né? Chocolates, tipo assim... (risos)
3 – Raquel: Doces suaves (ou seja, não muito “pesados”) – Isso não quer dizer diet
4 – Alice: Opção 1: Torta de maçã que o Zé Antônio faz. (Quem me tirou encomende a ele)
Opção 2: rondelli de ricota com nozes
Opção 3: eu não quero arroz, feijão, jiló, chocolate, panetone
Opção 4: o arroz em pessoa!
5 – Regina: Cesta básica DIET: gelatina (exceto de maracujá); barra de cereais SEM chocolate; frutas: abacaxi, maçã, pêra, pêssego, laranja (exceto serra d’água); capuccino. Clight;
6 – Daniel: Bombons (bacuri, cupuaçu)
Trufas (todas)
Doces (todos)
Sorvetes (todos)
7 – Juliana: Surpreendam-me!
8 – Patrick: Bombons de licor da Lalka
Pote de sorvete de flocos com cobertura
9 – Letícia: Doce, tipo chocolate. Sorvete também pode. Ah!, uma coisa boa, né?
Faltam se manifestar Luana, Patrícia, Cibele, Tatiana, Márcia, Rodrigo, Tiago.
Tiago é um Broca master. Ele gosta de tudo que é ingerível, mesmo que não seja muito digerível.
Patrícia: Osupermercado inteiro, um restaurante inteiro, uma pizzaria só para mim... Aí que fome... A fabrica da Kibon... Aí meu deus!!!! Brincadeira!
Vamos lá:1)Sushis e afins....2)Chocolates, chocolates, chocolates....3)Todas as coisas gostosas... petit gauteauSei lá pessoas vocês me conhecem...
Tatiana: Nuttella toda hora levemente adocicada
Cibele: Balas de licor com chocolate da Lalka. Quadradinhos finos õu trufas de café da Lalka. Doces de Protugal.
1 – René: aberto a emoções! Emoções positivas, tipo: bombom de bacuri, doce de cupuaçu, sorvete ou torta de mangaba, um araçá azul. Um beijinho doce, que foi ele quem trouxe, de longe pra mim...
2 – Dani: Coisinhas gostosinhas... Hummm... Doce, né? Chocolates, tipo assim... (risos)
3 – Raquel: Doces suaves (ou seja, não muito “pesados”) – Isso não quer dizer diet
4 – Alice: Opção 1: Torta de maçã que o Zé Antônio faz. (Quem me tirou encomende a ele)
Opção 2: rondelli de ricota com nozes
Opção 3: eu não quero arroz, feijão, jiló, chocolate, panetone
Opção 4: o arroz em pessoa!
5 – Regina: Cesta básica DIET: gelatina (exceto de maracujá); barra de cereais SEM chocolate; frutas: abacaxi, maçã, pêra, pêssego, laranja (exceto serra d’água); capuccino. Clight;
6 – Daniel: Bombons (bacuri, cupuaçu)
Trufas (todas)
Doces (todos)
Sorvetes (todos)
7 – Juliana: Surpreendam-me!
8 – Patrick: Bombons de licor da Lalka
Pote de sorvete de flocos com cobertura
9 – Letícia: Doce, tipo chocolate. Sorvete também pode. Ah!, uma coisa boa, né?
Faltam se manifestar Luana, Patrícia, Cibele, Tatiana, Márcia, Rodrigo, Tiago.
Tiago é um Broca master. Ele gosta de tudo que é ingerível, mesmo que não seja muito digerível.
Patrícia: Osupermercado inteiro, um restaurante inteiro, uma pizzaria só para mim... Aí que fome... A fabrica da Kibon... Aí meu deus!!!! Brincadeira!
Vamos lá:1)Sushis e afins....2)Chocolates, chocolates, chocolates....3)Todas as coisas gostosas... petit gauteauSei lá pessoas vocês me conhecem...
Tatiana: Nuttella toda hora levemente adocicada
Cibele: Balas de licor com chocolate da Lalka. Quadradinhos finos õu trufas de café da Lalka. Doces de Protugal.
domingo, 25 de julho de 2004
quinta-feira, 10 de junho de 2004
quinta-feira, 3 de junho de 2004
(A difícil partida - Cícero Dias)
Antes que o mundo acabe, Túlio,
Deita-te e prova
Esse milagre do gosto
Que se fez na minha boca
Enquanto o mundo grita
Belicoso. E ao meu lado
Te fazes árabe, me faço israelita
E nos cobrimos de beijos
E de flores
Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo.
(Árias Pequenas. Para Bandolim. - Hilda Hilst)
domingo, 7 de março de 2004
Aêêêhhh!! Olhem só que vou me gabar, e muito. Pois agora é minha hora e minha vez. Passei, acabou, terminou, desmonstrei... defendi. Nada mais de mestrado na minha vida, que maraviha!!!! Foram 22 meses de sufoco, mas deu tudo certo. Teve até público... a Regina e o meu Lindus foram, e cada um teve uma impressão diferente acerca das reações da banca - uma achou tudo um terrorismo intelectual, o outro viu cenas de Super-Mães com tintas de mulheres apaixonadas. Já eu, nem sei - também, depois da tensão de quatro horas e meia de defesa, a gente acaba perdendo o rumo. Só sei que deu certo, e tirei FÉRIAS - por tempo limitado, é verdade, já que o doutorado começou em março. Mas valeram as rezas, prantos, e tudo mais.
Agora, tanto em casa, como no trabalho, já estão me chamando de mestre dos magros... tsc, tsc, tsc. Será que gostei dessa nova identidade??
terça-feira, 20 de janeiro de 2004
pois bem... estou de férias do bloguiu. de férias. numa praia de nudismo onde mãos ávidas acariciam mouses repetindo intensamente: sou bloguento mas sou limpinho. arre, quantos ciúmes nos corações alheios. saibam que por aqui está tudo bem, com meu bem também. mas de férias, nécas. labuta, labuta, labuta - e quase mudo de profissão; já que a confissão em nada mudaria.
e se tudo anda bem, ainda que devagarinho, devo umas pras rezadeiras e benzedeiras internáuticas, amigos e muito mais... que continuem puxando o terço, que o bonde tá difícil de empurrar! e como diz o dito:
falei???? (bashô zé pequeno, mutações malacas)
no mais, é feliz ano novo pra todo mundo...
... e até mais.
quinta-feira, 20 de novembro de 2003
estava chovendo, quando chegamos ao cinema. o dia havia sido tranquilo - muita leitura e um cochilo no sofá. pouco sabia sobre o que viria a assistir. havia somente a expectativa de uma tarde linda, fria e chuvosa, com quem mais amo...
...comecei a postar esse comentário há alguns dias, quando previa uma melhora na qualidade da minha vida recente. o que eu não poderia jamais imaginar era que aquele momento de felicidade seria apenas o prenúncio de mais uma onda de escuridão completa. as janelas se fecharam novamente, e eu fiquei preso aqui, tentando decidir a vida. ainda tenho muito pelo que lutar: amigos, amor, família, e um resto de apreço por meu trabalho. ficarei mais um tempo longe - uma semana, duas, não sei -, mas voltarei com uma solução para mais esse problema. uma solução definitiva, pelo menos até a próxima mudança dos ventos. rezem por mim!
...comecei a postar esse comentário há alguns dias, quando previa uma melhora na qualidade da minha vida recente. o que eu não poderia jamais imaginar era que aquele momento de felicidade seria apenas o prenúncio de mais uma onda de escuridão completa. as janelas se fecharam novamente, e eu fiquei preso aqui, tentando decidir a vida. ainda tenho muito pelo que lutar: amigos, amor, família, e um resto de apreço por meu trabalho. ficarei mais um tempo longe - uma semana, duas, não sei -, mas voltarei com uma solução para mais esse problema. uma solução definitiva, pelo menos até a próxima mudança dos ventos. rezem por mim!
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