Tarsila do Amaral - Manacá
quarta-feira, 12 de junho de 2002
domingo, 9 de junho de 2002
Tentando entender o que é a melancolia, procurei exemplos de compositores melancólicos na MPB. Lembrei-me de Cartola. Ninguém como ele, em suas músicas, conseguiu expressar tão bem este humor, nem triste/nem alegre, que permeia a vida daqueles que, conscientes de sua impotência frente à passagem do tempo, se acham sem lugar, poder ou função no mundo.
Que Sejam Bem-Vindos
Oh, Deus, não posso entender
porque vamos chorando,
se nossos cicerones são aves cantando.
Materialmente as flores,
deitam aroma sorrindo.
E ouço da natureza: 'Que sejam benvindos!'
O vento, de quando em quando,
num sussurro ameno,
obriga a toda floresta a nos fazer aceno.
É um festival de alegrias,
que me ponho a imaginar,
não sei se devemos rir ou chorar.
Autonomia
É impossível, nesta primavera, eu sei.
É impossível pois longe estarei,
mas pensando em nosso amor, amor sincero.
Ai, se eu tivesse autonomia.
Se eu pudesse gritaria:
‘Não vou, não quero.’
Escravizaram assim um pobre coração.
É necessária a nova abolição,
pra trazer de volta a minha liberdade.
Se eu pudesse brigaria, amor.
Se eu pudesse gritaria, amor:
‘Não vou não quero.’
Oh, Deus, não posso entender
porque vamos chorando,
se nossos cicerones são aves cantando.
Materialmente as flores,
deitam aroma sorrindo.
E ouço da natureza: 'Que sejam benvindos!'
O vento, de quando em quando,
num sussurro ameno,
obriga a toda floresta a nos fazer aceno.
É um festival de alegrias,
que me ponho a imaginar,
não sei se devemos rir ou chorar.
Autonomia
É impossível, nesta primavera, eu sei.
É impossível pois longe estarei,
mas pensando em nosso amor, amor sincero.
Ai, se eu tivesse autonomia.
Se eu pudesse gritaria:
‘Não vou, não quero.’
Escravizaram assim um pobre coração.
É necessária a nova abolição,
pra trazer de volta a minha liberdade.
Se eu pudesse brigaria, amor.
Se eu pudesse gritaria, amor:
‘Não vou não quero.’
Claude Debussy - Estou aqui, faz um bom tempo, tentando escrever uma pequena resenha impessoal sobre a obra de Debussy para este blog... inútil. Tudo o que escrevo me parece artificial, ou pequeno, pobre. Talvez porque sua obra me toque tão intimamente que desfaz o peso do meu corpo, e converte minha existência em som. Talvez porque sua música me soe tão fantástica... Fantástica; excelente palavra para descrever a obra de Debussy, e sua tentativa de ultrapassar o legado do romantismo na tradição musical francesa. Envolvido com as propostas estéticas de artistas como Mallarmé, Baudelaire, Verlaine, Camille Claudel, Poe, Debussy criou imagens sonoras de mundos exóticos e fantásticos, condensando sensações em sons. Afirmando-se veementemente como músico francês (opondo-se à onda wagneriana que inundava as salas de concerto), transformou sua obra numa das mais idílicas expressões do cosmopolitanismo parisiense. Incorporou à escrita musical ocidental sons orientais, como da música japonesa e das ilhas do pacífico. Buscou temas exóticos e sensoriais, como as estórias de ninfas, de faunos gregos e de casais da mitologia indiana. Buscando novas perspectivas musicais, e a criação de uma ambiência sonora encantada mas não sentimentalista ou caricata, Debussy absorveu com seu ouvido francês toda música, literatura, escultura, toda a arte que encontrou em seus colegas, e que viu nas exposições mundiais de Paris; mas não tentou reproduzir tais elementos estéticos, mas sim, utilizar seus recursos na criação de uma arte própria... tão fantástica quanto as viagens sensoriais e imaginárias que experimentamos ao descansar os olhos sobre estampas postais que representam lugares distantes e desconhecidos. Ignotos.
Na falta de um link para Estampes - minha preferida -, ouça o prelúdio A Catedral Submersa
sexta-feira, 7 de junho de 2002
Anti-tabagista
Estava só. No apartamento do primeiro andar. Lia - sobre Kafka. A dada altura, quando seu pensamento já se descolava das páginas e, em pensamento, travava grandes diálogos teóricos, por hábito (pois tinha o hábito este de, quando pensava, andar pelo apartamento, sem rumo ), chegou-se à janela. Viu. Não pretendia. Mas viu. Apenas. O vizinho – que ele sempre recriminava por insistir em fumar na janela, na vã esperança de que os pais nada desconfiassem – comprava maconha. Sentou-se. Voltou a ler.
Mas, a cabeça ainda lhe doía. Já havia lhe doido o dia todo como prenúncio de uma nascente enxaqueca, ou como resultado de sua ansiedade – ele detestava essa ansiedade de causa desconhecida que lhe assaltara parte do humor. Ou por ambos.
Lembrou-se. No armário. Uma caixa de cigarrilhas. Sem maiores moralismos, acendeu uma. Fumou.
Pensava – agora já reclinado em sua cadeira, com o livro e seus assuntos já esquecidos. Como era possível alguém aliviar a tensão fumando? Coisa horrível aquela! Ardeu-lhe a boca. Fedeu-lhe o cabelo.
Com ares de autonomia, soltava baforadas pela boca – mesmo porque, havia engolido fumaça em suas tentativas de tragar.Desistiu. Apagou a cigarrilha. Jogou-a fora.
A casa toda já cheirava mal. Ele cheirava mal. Mas, pelo menos era cigarrilha, que não lhe dava alergia, e ainda tinha uma leve nota agradável no cheiro.
Seus irmãos estavam por chegar. A casa fedia. Acendeu um incenso – artifício inútil que criticava em todo maconheiro (com o perdão da palavra). Novamente andando pela casa, como se estivesse a filosofar, pensou justificativas para aquele fedor.
- Fumei mesmo, e o que tem isso? – assim teria que arcar com as repreensões.
- Esse cheiro? Foi a simpatia que fiz (simpatia de segurar namorado) – mas ali não havia sapos... e muito menos se usa costurar uma cigarrilha na boca de um sapo! Quanto mais numa casa de ecologistas e anti-tabagistas.
- Colocaram fogo no lote! – talvez a alternativa mais verossímil para seus irmãos.
Para o amargo da boca, tomou xarope de mel, guaco e própolis.Tomou de novo – esse xarope é gostoso mesmo, né? Tomou mais ainda. Não adiantou. A boca amargava. O cabelo fedia. Sua roupa cheirava mal. O estômago cheio de fumaça.
Sentou-se. Pôs-se a escrever. Pensou: como alguém pode relaxar fumando?
Misteriosamente, sua cabeça parou de doer.
E nem é preciso dizer que esse escrito idiota – sem estilo, sem porquê e sem noção – foi nascido da incapacidade da confissão direta e objetiva dos fatos. É autobiográfico. E o autor continua anti-tabagista.
Estava só. No apartamento do primeiro andar. Lia - sobre Kafka. A dada altura, quando seu pensamento já se descolava das páginas e, em pensamento, travava grandes diálogos teóricos, por hábito (pois tinha o hábito este de, quando pensava, andar pelo apartamento, sem rumo ), chegou-se à janela. Viu. Não pretendia. Mas viu. Apenas. O vizinho – que ele sempre recriminava por insistir em fumar na janela, na vã esperança de que os pais nada desconfiassem – comprava maconha. Sentou-se. Voltou a ler.
Mas, a cabeça ainda lhe doía. Já havia lhe doido o dia todo como prenúncio de uma nascente enxaqueca, ou como resultado de sua ansiedade – ele detestava essa ansiedade de causa desconhecida que lhe assaltara parte do humor. Ou por ambos.
Lembrou-se. No armário. Uma caixa de cigarrilhas. Sem maiores moralismos, acendeu uma. Fumou.
Pensava – agora já reclinado em sua cadeira, com o livro e seus assuntos já esquecidos. Como era possível alguém aliviar a tensão fumando? Coisa horrível aquela! Ardeu-lhe a boca. Fedeu-lhe o cabelo.
Com ares de autonomia, soltava baforadas pela boca – mesmo porque, havia engolido fumaça em suas tentativas de tragar.Desistiu. Apagou a cigarrilha. Jogou-a fora.
A casa toda já cheirava mal. Ele cheirava mal. Mas, pelo menos era cigarrilha, que não lhe dava alergia, e ainda tinha uma leve nota agradável no cheiro.
Seus irmãos estavam por chegar. A casa fedia. Acendeu um incenso – artifício inútil que criticava em todo maconheiro (com o perdão da palavra). Novamente andando pela casa, como se estivesse a filosofar, pensou justificativas para aquele fedor.
- Fumei mesmo, e o que tem isso? – assim teria que arcar com as repreensões.
- Esse cheiro? Foi a simpatia que fiz (simpatia de segurar namorado) – mas ali não havia sapos... e muito menos se usa costurar uma cigarrilha na boca de um sapo! Quanto mais numa casa de ecologistas e anti-tabagistas.
- Colocaram fogo no lote! – talvez a alternativa mais verossímil para seus irmãos.
Para o amargo da boca, tomou xarope de mel, guaco e própolis.Tomou de novo – esse xarope é gostoso mesmo, né? Tomou mais ainda. Não adiantou. A boca amargava. O cabelo fedia. Sua roupa cheirava mal. O estômago cheio de fumaça.
Sentou-se. Pôs-se a escrever. Pensou: como alguém pode relaxar fumando?
Misteriosamente, sua cabeça parou de doer.
E nem é preciso dizer que esse escrito idiota – sem estilo, sem porquê e sem noção – foi nascido da incapacidade da confissão direta e objetiva dos fatos. É autobiográfico. E o autor continua anti-tabagista.
quinta-feira, 6 de junho de 2002
E um riso
Encontrei isto num desses blogs da vida. É pura bobagem...
Frase 2 do dia do site:
Tem que ter estilo para ser "jogada no vento" coberta de brincos, colares e anéis maravilhosos.
juro, não consigo parar de rir....
Encontrei isto num desses blogs da vida. É pura bobagem...
Frase 2 do dia do site:
Tem que ter estilo para ser "jogada no vento" coberta de brincos, colares e anéis maravilhosos.
juro, não consigo parar de rir....
Um enigma
Recebi esta mensagem hoje, e fiquei realmente bobo, e feliz, contente, agradecido, envaidecido mesmo.
Há, há, há!!!! pensou que era mais um fã? Sou eu, bobo, só estou mandando um oi e queria falar que seu blog é realmente liiindo! Uma pista: eu sou parente da dona desse endereço que te manda o mail, você conhece mais alguém com sobrenome "Luz"?
Mil beijos...
Fiquei pensando, quem será, oh!, quem será?!? É você, oh, Mannuella?? - a única luz que vem à minha cabeça agora.
Recebi esta mensagem hoje, e fiquei realmente bobo, e feliz, contente, agradecido, envaidecido mesmo.
Há, há, há!!!! pensou que era mais um fã? Sou eu, bobo, só estou mandando um oi e queria falar que seu blog é realmente liiindo! Uma pista: eu sou parente da dona desse endereço que te manda o mail, você conhece mais alguém com sobrenome "Luz"?
Mil beijos...
Fiquei pensando, quem será, oh!, quem será?!? É você, oh, Mannuella?? - a única luz que vem à minha cabeça agora.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
Tento impressionar demais. Expor-me demais. Existir demais. Ser demais. Ter demais. Sempre. Sempre eu, e mais do que eu.
Mas devia tentar menos, cada vez menos, até me apagar.
APAGUE AS PEGADAS
Separe-se de seus amigos na estação
De manhã vá à cidade de casaco abotoado
Procure alojamento, e quando seu camarada bater:
Não, oh, não abra a porta
Mas sim
Apague as pegadas!
Se encontrar seus pais na cidade de Hamburgo ou em outro [lugar
Passe por eles como um estranho, vire na esquina, não os [reconheça
Abaixe sobre o rosto o chapéu que eles lhe deram
Não, oh, não mostre seu rosto
Mas sim
Apague as pegadas!
Coma a carne que aí está. Não poupe.
Entre em qualquer casa quando chover, sente em qualquer [cadeira
Mas não permaneça sentado. E não esqueça seu chapéu.
Estou lhe dizendo:
Apague as pegadas!
O que você disser, não diga duas vezes.
Encontrando o seu pensamento em outra pessoa: negue-o.
Quem não escreveu sua assinatura, quem não deixou [retrato
Quem não estava presente, quem nada falou
Como poderão apanhá-lo?
Apague as pegadas!
Cuide, quando pensar em morrer
Para que não haja sepultura revelando onde jaz
Com uma clara inscrição a lhe denunciar
E o ano de sua morte a lhe entregar
Mais uma vez:
Apague as pegadas!
(Assim me foi ensinado.)
(Bertold Becht)
Mais que o sonho da passagem.
Tento impressionar demais. Expor-me demais. Existir demais. Ser demais. Ter demais. Sempre. Sempre eu, e mais do que eu.
Mas devia tentar menos, cada vez menos, até me apagar.
APAGUE AS PEGADAS
Separe-se de seus amigos na estação
De manhã vá à cidade de casaco abotoado
Procure alojamento, e quando seu camarada bater:
Não, oh, não abra a porta
Mas sim
Apague as pegadas!
Se encontrar seus pais na cidade de Hamburgo ou em outro [lugar
Passe por eles como um estranho, vire na esquina, não os [reconheça
Abaixe sobre o rosto o chapéu que eles lhe deram
Não, oh, não mostre seu rosto
Mas sim
Apague as pegadas!
Coma a carne que aí está. Não poupe.
Entre em qualquer casa quando chover, sente em qualquer [cadeira
Mas não permaneça sentado. E não esqueça seu chapéu.
Estou lhe dizendo:
Apague as pegadas!
O que você disser, não diga duas vezes.
Encontrando o seu pensamento em outra pessoa: negue-o.
Quem não escreveu sua assinatura, quem não deixou [retrato
Quem não estava presente, quem nada falou
Como poderão apanhá-lo?
Apague as pegadas!
Cuide, quando pensar em morrer
Para que não haja sepultura revelando onde jaz
Com uma clara inscrição a lhe denunciar
E o ano de sua morte a lhe entregar
Mais uma vez:
Apague as pegadas!
(Assim me foi ensinado.)
Mas, se o Encontro, ali, foi com a Senhora Prudência, antes, foi a figura da História.
... que o encontro com a história se faça viajem.
Encontro
Era uma dessas mulheres que não se usam mais.
Vestes de trevas e vidrilhos.
Cabeleira trágica.
Olheiras suspeitas.
O grito horizontal da boca surgiu da noite.
Sumiu pela última porta do poema.
(Mario Quintana - Esconderijos do Tempo)
Viagem
Viajar! Perder paises!
Ser outro constantemente
Por a alma não ter raízes.
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E da ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem!
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é terra e céu.
(Fernando Pessoa - Mensagem)
Encontro
Era uma dessas mulheres que não se usam mais.
Vestes de trevas e vidrilhos.
Cabeleira trágica.
Olheiras suspeitas.
O grito horizontal da boca surgiu da noite.
Sumiu pela última porta do poema.
(Mario Quintana - Esconderijos do Tempo)
Viagem
Viajar! Perder paises!
Ser outro constantemente
Por a alma não ter raízes.
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E da ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem!
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é terra e céu.
(Fernando Pessoa - Mensagem)
A prudência de Willian Blake, de velha, feia e rica, lembrou-me o poema Encontro, do Mario Quintana. (ver o próximo post)
terça-feira, 4 de junho de 2002
Outro dia desses, minha irmã (foto:
) comentou que esse negócio de blog é uma coisa de adolescente, uma agendinha boba. Detestei o comentário. Tudo bem que estou muito longe de concretizar o intento original desta página eletrônica, que era ter um espaço para escrever coisas que poderiam ser boas para outras pessoas (mesmo porque, cá prá nós, isso tudo é muito pretencioso). Mas, agendinha?? Acho que, às vezes, conseguimos ir além disso. Bom... já que é assim, vamos ao post de hoje.
Querido diário,
Sei que estou sumido, que não tenho escrito muito. Perdoe-me, mas isto se deve, quase exclusivamente, ao feriado. Pois bem, falemos dele, então.
Fui visitar a minha mãe. Não fui só, fui acompanhado do Linus (nossa segunda lua-de-mel). Foi ótimo para nós, e para minha mãe também.
Para mim foi muito bom, pois além de tomar chás feitos com ervas colhidas na hora, de assar pão de queijo caseiro, fazer um monte de comidas boas e passar um friozinho (e ter um par de pés para esquentar o meu), pude voltar às minhas raízes. Quer dizer, levando em conta que moro em minha cidade natal, e que minha mãe foi quem de lá se mudou, ir para a casa dela foi como voltar pro útero. Enfim, foi como deixar de ser uma vaca sem sino...
Estes dias assistimos a muitos filmes. Farei comentários sobre eles depois, mas, agora, neste post familiar, vou falar somente de um: A Partilha.

ADOREI!!! Despretencioso e delicioso. Resolvi assitir ao filme após ter comprado sua trilha em CD (por apenas 3 reais, creia, meu diário). O CD é tão bom quanto o filme - tem até a desaparecida Lady Zu. Mas, depois de rir muito, tive um pequeno acesso emotivo. Senti saudades de meus irmãos, sobretudo de meu distante irmão. Fiquei pensando nos pequenos desentendimentos cotidianos (ou quotidianos, à portuguesa??) que atrapalham a nossa convivência. Em como evitá-los. Resultado: descobri que uma das melhores e piores coisas que há em uma família é: a familiaridade. (risos, amarelos)
Claro!!! Dentro da família nos damos a liberdade de falar e ser o que queremos, e, às vezes, essa licença ultrapassa todos os limites recomendáveis. Logo, para viver bem em família, há que se ter muita virtude, né meis?
Virtude. Parece-me a palavra chave. Pois, sendo rasteiro, a virtude é justamente aquilo que nos dá o bom entendimento dos limites, uma vez que, uma virtude, quando é excessivamente (para mais ou para menos) empregada, pode resultar em seu contrário. Exemplifico. Com a Prudência, a virtude que mais tenho tentado exercer.
A Prudência é a capacidade de sabermos como agir, quando agir e até quando agir. Uma pessoa prudente deve, para melhor agir, conhecer bem a situação em que se encontra e a si mesma (nas alegorias antigas, ela se olha em um espelho), além de escutar os conselhos dos sábios, e as palavras da experiência. Mas, ela não deve se deter por muito tempo nessa análise de conjunturas: toda ação possui um tempo correto de duração e um momento específico para ocorrer. Esperar muito, analisar muito a situação, na tentativa de ser prudente, leva à paralisia; ou seja, à imprudência de perder a Hora (palavra mais do Pessoa, né?), de ficar para trás - junto de tudo aquilo que pereceu, que arruinou-se - na passagem do cortejo do tempo. Quem espera nunca alcança. Ser precipitado? Outra imprudência: executar as coisas antes de seu ponto de amadurecimento - como diz o ditado: o apressado come cru. Deu pra entender??... as virtudes são um fio de navalha. E, das lâminas, a melhor nos assuntos de família (forte, né?).
Bom, já começo a me embolar, querido diário. E a escrever demais, com tão pouca qualidade. Então, seremos prudentes: Até a próxima!
Querido diário,
Sei que estou sumido, que não tenho escrito muito. Perdoe-me, mas isto se deve, quase exclusivamente, ao feriado. Pois bem, falemos dele, então.
Fui visitar a minha mãe. Não fui só, fui acompanhado do Linus (nossa segunda lua-de-mel). Foi ótimo para nós, e para minha mãe também.
Para mim foi muito bom, pois além de tomar chás feitos com ervas colhidas na hora, de assar pão de queijo caseiro, fazer um monte de comidas boas e passar um friozinho (e ter um par de pés para esquentar o meu), pude voltar às minhas raízes. Quer dizer, levando em conta que moro em minha cidade natal, e que minha mãe foi quem de lá se mudou, ir para a casa dela foi como voltar pro útero. Enfim, foi como deixar de ser uma vaca sem sino...
Estes dias assistimos a muitos filmes. Farei comentários sobre eles depois, mas, agora, neste post familiar, vou falar somente de um: A Partilha.
ADOREI!!! Despretencioso e delicioso. Resolvi assitir ao filme após ter comprado sua trilha em CD (por apenas 3 reais, creia, meu diário). O CD é tão bom quanto o filme - tem até a desaparecida Lady Zu. Mas, depois de rir muito, tive um pequeno acesso emotivo. Senti saudades de meus irmãos, sobretudo de meu distante irmão. Fiquei pensando nos pequenos desentendimentos cotidianos (ou quotidianos, à portuguesa??) que atrapalham a nossa convivência. Em como evitá-los. Resultado: descobri que uma das melhores e piores coisas que há em uma família é: a familiaridade. (risos, amarelos)
Claro!!! Dentro da família nos damos a liberdade de falar e ser o que queremos, e, às vezes, essa licença ultrapassa todos os limites recomendáveis. Logo, para viver bem em família, há que se ter muita virtude, né meis?
Virtude. Parece-me a palavra chave. Pois, sendo rasteiro, a virtude é justamente aquilo que nos dá o bom entendimento dos limites, uma vez que, uma virtude, quando é excessivamente (para mais ou para menos) empregada, pode resultar em seu contrário. Exemplifico. Com a Prudência, a virtude que mais tenho tentado exercer.
A Prudência é a capacidade de sabermos como agir, quando agir e até quando agir. Uma pessoa prudente deve, para melhor agir, conhecer bem a situação em que se encontra e a si mesma (nas alegorias antigas, ela se olha em um espelho), além de escutar os conselhos dos sábios, e as palavras da experiência. Mas, ela não deve se deter por muito tempo nessa análise de conjunturas: toda ação possui um tempo correto de duração e um momento específico para ocorrer. Esperar muito, analisar muito a situação, na tentativa de ser prudente, leva à paralisia; ou seja, à imprudência de perder a Hora (palavra mais do Pessoa, né?), de ficar para trás - junto de tudo aquilo que pereceu, que arruinou-se - na passagem do cortejo do tempo. Quem espera nunca alcança. Ser precipitado? Outra imprudência: executar as coisas antes de seu ponto de amadurecimento - como diz o ditado: o apressado come cru. Deu pra entender??... as virtudes são um fio de navalha. E, das lâminas, a melhor nos assuntos de família (forte, né?).
Bom, já começo a me embolar, querido diário. E a escrever demais, com tão pouca qualidade. Então, seremos prudentes: Até a próxima!
quarta-feira, 29 de maio de 2002
Bom, já que o assunto é música, encontrei este texto de Pablo Casals, um dos maiores violoncelistas do século XX, no livrinho que ganhei de meu Lindus.
Naqueles que não têm o amor, a música expulsa o ódio. Aos desassossegados traz paz, consola os que choram. Os que não têm compreensão, acham novos caminhos. E naqueles rejeitados pelos homens, nasce uma nova confiança e esperança.

Naqueles que não têm o amor, a música expulsa o ódio. Aos desassossegados traz paz, consola os que choram. Os que não têm compreensão, acham novos caminhos. E naqueles rejeitados pelos homens, nasce uma nova confiança e esperança.
Quê isso???? Estou me identificando totalmente com o blog da Lady Bug. Desta vez, ela publicou a letra de uma das canções que mais gosto. Stormy Weather; interpretada por ninguém menos que Billie Holiday. É arrebatadora principalmente o primeiro verso. Bom, aqui está (meu mais novo plágio).
Stormy Weather
Don't know why
There's no sun up in the sky
Stormy weather
Since my man and I ain't together
Keeps rainin' all of the time
Life is bare
Gloom and misery everywhere
Stormy weather
Just can't get my poor self together
I'm weary all the time
All the time
So weary all of the time
When you went away
The blues stepped up and met me
If he's gone to stay
That old rocking chair's going to get me
Every night I pray
That the Lord above will let me
Walk in the sunlight once more
I can't go on
Everything I had is gone
Stormy weather
Since my man and I ain't together
Keeps rainin' all of the time
Keeps rainin' all of the time
(Ted Koehler / Harold Arlen)
Stormy Weather
Don't know why
There's no sun up in the sky
Stormy weather
Since my man and I ain't together
Keeps rainin' all of the time
Life is bare
Gloom and misery everywhere
Stormy weather
Just can't get my poor self together
I'm weary all the time
All the time
So weary all of the time
When you went away
The blues stepped up and met me
If he's gone to stay
That old rocking chair's going to get me
Every night I pray
That the Lord above will let me
Walk in the sunlight once more
I can't go on
Everything I had is gone
Stormy weather
Since my man and I ain't together
Keeps rainin' all of the time
Keeps rainin' all of the time
(Ted Koehler / Harold Arlen)
terça-feira, 28 de maio de 2002
Assinar:
Postagens (Atom)
