segunda-feira, 17 de abril de 2006
domingo, 16 de abril de 2006
passar tantos dias na frente do computador, só vendo pessoas virtuais, ou dialogando com os mortos, é caminhar em direção à insanidade. faz-me falta uma voz humana, que não saia da tv, e nem cante. minha janela parece um quadro, mesmo que nada estático. e só a mudança da luminosidade, lá fora, me garante que ainda vivo. queria que hoje o sol não se pusesse.
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Um dia com Aretha
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
que cuidar de uma criança era difícil, isso eu já sabia. mas, dois, de uma só vez? isso é trabalho ao quadrado!! e satisfação também...
no quesito trabalho, otto, o estrupício, é muito pior que a ana. enquanto ana é uma pessoa higiênica e controlada, cadidata a miss lilica bicalho, o otto, ai... limpar cocô dele o dia inteiro é uma experiência realmente engrandecedora; a cada vez, queimam-se dez karmas de sua cota, com direito a concorrer um bônus extra, no final de cada mês!
ainda acho que a licença paternidade deveria ser concedida após o quarto mês do nascimento...
fumm... de novo...
com licença eu vou à luta
no quesito trabalho, otto, o estrupício, é muito pior que a ana. enquanto ana é uma pessoa higiênica e controlada, cadidata a miss lilica bicalho, o otto, ai... limpar cocô dele o dia inteiro é uma experiência realmente engrandecedora; a cada vez, queimam-se dez karmas de sua cota, com direito a concorrer um bônus extra, no final de cada mês!
ainda acho que a licença paternidade deveria ser concedida após o quarto mês do nascimento...
fumm... de novo...
com licença eu vou à luta
Comendo os convidados,
A hora do almoço pode ser menos estressante se você tiver um pouco de imaginação. Há alguns anos criei um evento que pode acontecer sempre que a negociação da hora de comer ficar complicada: a Festa da Barriga. É muito simples: a barriga do seu filho é um salão de festas e todos os alimentos são convidados.
É interessante que a criança escolha o anfitrião e o motivo da comemoração. Por exemplo: oaniversário da Beterraba, a despedida do Brócolis, o casamento do Arroz com o Feijão. Mas mãe, O Feijão e O Arroz não são homens? Aproveite a oportunidade para explicar à novíssima geração que homens podem se casar com homens, sim. Você pode notar também que o fato do arroz ser branco e o feijão ser preto não impede que eles se amem. Mas aí o negócio já descamba para aula de politicamente correto e no final das contas você quer mesmo é que seu filho coma toda a comida. Uma coisa de cada vez.
Geralmente o alimento escolhido é o mais diferente no dia, por exemplo, a Abóbora. Nesse caso, ela deve ser a primeira a chegar, ou melhor, a ser comida. Os convidados se preparam na boca, quando são mastigados. Portanto, se sua filha estiver comendo muito depressa, explique que assim aqueles legumes estarão chegando à festa sem a menor produção. Quando ela engolir, você faz as vozes: _Brócolis querido, que bom que você veio! _Parabéns, Abóbora, como você está bonita! Os convidados vão chegando e a festa vai ficando cada vez mais animada: _Oi, Carninha, olá, Batata, como vai, seu Espinafre?
Se houver algum legume que sua filha não quer comer, faça uma vozinha triste: _Poxa, eu queria tanto ir à Festa da Barriga... Chantagem emocional e lá vai o penetra que em outra situação não entraria naqueles salões.
Mas cuidado: não acostume sua criança a promover sempre a Festa da Barriga. Você pode ser eleita a dubladora oficial das verduras e legumes baladeiros.
: : Laura : :
pilhado de mothern
gunff!! nunca foi preciso que eu promovesse festinhas, baladinhas e afins, para verduras e legumes (vida dura a deles, e curta... muito curta). melhor assim. não tive que me preocupar, desde cedo, com a preparação do evento. a roupa, o salão, o dj. coisas que nunca fizeram muito parte das minhas preocupações festo-comemorativas. os divertimentos (teatro de fantoche, oba!), os comes e os bebes, isso sim!
o que será que D. Beterraba quer pro jantar?
A hora do almoço pode ser menos estressante se você tiver um pouco de imaginação. Há alguns anos criei um evento que pode acontecer sempre que a negociação da hora de comer ficar complicada: a Festa da Barriga. É muito simples: a barriga do seu filho é um salão de festas e todos os alimentos são convidados.
É interessante que a criança escolha o anfitrião e o motivo da comemoração. Por exemplo: oaniversário da Beterraba, a despedida do Brócolis, o casamento do Arroz com o Feijão. Mas mãe, O Feijão e O Arroz não são homens? Aproveite a oportunidade para explicar à novíssima geração que homens podem se casar com homens, sim. Você pode notar também que o fato do arroz ser branco e o feijão ser preto não impede que eles se amem. Mas aí o negócio já descamba para aula de politicamente correto e no final das contas você quer mesmo é que seu filho coma toda a comida. Uma coisa de cada vez.
Geralmente o alimento escolhido é o mais diferente no dia, por exemplo, a Abóbora. Nesse caso, ela deve ser a primeira a chegar, ou melhor, a ser comida. Os convidados se preparam na boca, quando são mastigados. Portanto, se sua filha estiver comendo muito depressa, explique que assim aqueles legumes estarão chegando à festa sem a menor produção. Quando ela engolir, você faz as vozes: _Brócolis querido, que bom que você veio! _Parabéns, Abóbora, como você está bonita! Os convidados vão chegando e a festa vai ficando cada vez mais animada: _Oi, Carninha, olá, Batata, como vai, seu Espinafre?
Se houver algum legume que sua filha não quer comer, faça uma vozinha triste: _Poxa, eu queria tanto ir à Festa da Barriga... Chantagem emocional e lá vai o penetra que em outra situação não entraria naqueles salões.
Mas cuidado: não acostume sua criança a promover sempre a Festa da Barriga. Você pode ser eleita a dubladora oficial das verduras e legumes baladeiros.
: : Laura : :
pilhado de mothern
gunff!! nunca foi preciso que eu promovesse festinhas, baladinhas e afins, para verduras e legumes (vida dura a deles, e curta... muito curta). melhor assim. não tive que me preocupar, desde cedo, com a preparação do evento. a roupa, o salão, o dj. coisas que nunca fizeram muito parte das minhas preocupações festo-comemorativas. os divertimentos (teatro de fantoche, oba!), os comes e os bebes, isso sim!
o que será que D. Beterraba quer pro jantar?
"O azul ultramarino era fabricado a partir do pó do lápis-lazúli, importado a altos custos do Oriente; o pó era diluído em líquido várias vezes para se extrair a cor, sendo que o primeiro extrato obtido - um azul violeta intenso - era o melhor e o mais caro. O azul alemão nada mais era que o carbonato de cobre; sua cor era menos brilhante e, o mais grave, seu uso se revelava instável, particularmente em afrescos... Os pintores e seu público estavam atentos a tudo isso, e as conotações de exotismo e perigo que se associavam ao azul ultramarino tinham uma importância no quadro que, hoje, possivelmente nos escape..."
(Michael Baxandall - O Olhar Renascente)
sábado, 4 de fevereiro de 2006
Ao escrever não posso fabricar como na pintura, quando fabrico artesanalmente uma cor. Mas estou tentando escrever-te com o corpo todo, enviando uma seta que finca no ponto tenro e nevrálgico da palavra... Antes de mais nada, pinto pinturas. E antes de mais nada te escrevo dura escritura. Quero como poder pegar com a mão a palavra. A palavra é objeto? E aos instantes eu lhes tiro o sumo de fruta. Tenho que me destruir para alcançar cerne e semente de vida. O instante é semente viva. (Água Viva - Clarisse Lispector)
Hoje, travo mais uma batalha. A batalha que é batalha-de-cada-dia. Hoje, me bato pela palavra. Como domar a palavra? É possível fazer dela pintura? Ou é melhor deixá-la palavra. Pura e simples? Nessa dúvida, estanco. O fluxo pára. E as palavras fazem bola no meu peito. Uma bola de pêlo. Se, ao menos, elas saíssem pela boca, escorressem pelos dedos. Haveria alívio.
terça-feira, 29 de novembro de 2005
Caros amigos e familiares,
É com alegria e satisfação que agradecemos os alvissareiros votos e congratulações, recebidos em função da feliz natividade. Avisamos que os gêmeos são dois miúdos sacudidos, saudáveis, espertos, e bem gordinhos. Calmos, não reclamam de nada; e como não poderia deixar de ser, mamam o dia todo. E, a quem quiser conhecê-los, Otto e Ana avisam que estarão recebendo visitas, das 12 às 18 horas, na maternidade, onde permanecem ao lado da mãe. Presentes, cartões e telegramas deverão ser enviados à nossa residência. Exultantes, agradecemos.
René, Otto, Ana, e mamãe.
(Daniel e Letícia também)
É com alegria e satisfação que agradecemos os alvissareiros votos e congratulações, recebidos em função da feliz natividade. Avisamos que os gêmeos são dois miúdos sacudidos, saudáveis, espertos, e bem gordinhos. Calmos, não reclamam de nada; e como não poderia deixar de ser, mamam o dia todo. E, a quem quiser conhecê-los, Otto e Ana avisam que estarão recebendo visitas, das 12 às 18 horas, na maternidade, onde permanecem ao lado da mãe. Presentes, cartões e telegramas deverão ser enviados à nossa residência. Exultantes, agradecemos.
René, Otto, Ana, e mamãe.
(Daniel e Letícia também)
sábado, 19 de novembro de 2005
Os selvagens pintam-se e adornam-se reciprocamente, mas são as mulheres que tingem os homens, desenhando mil primores, tais como linhas, ondas e coisas assim semelhantes, em traços tão miúdos, que mais não é possível.
Não diz nenhum livro que existam outros povos com o mesmo costume. É exato que os citas, quando iam visitar seus amigos, por ocasião da morte de alguém, pintavam as faces. As mulheres da Turquia esmaltam as unhas com uma espécie de tinta vermelha ou persa, julgando, desse modo, que se tornam mais belas; mas não tingem o resto do corpo.
As mulheres americanas não tingem o rosto e o corpo de seus filhos apenas de negro, mas de várias outras cores, especialmente uma que se assemelha ao boli armênio. Essa última tinta é fabricada de uma terra gorda como a argila, que dura por espaço de quatro dias. As índias pintam-se as pernas com uma tinta de cor igual ao boli armênio, de modo que, ao vê-las de longe, julgar-se-á que estão metidas em belas calças de fina estamenha preta.
Não diz nenhum livro que existam outros povos com o mesmo costume. É exato que os citas, quando iam visitar seus amigos, por ocasião da morte de alguém, pintavam as faces. As mulheres da Turquia esmaltam as unhas com uma espécie de tinta vermelha ou persa, julgando, desse modo, que se tornam mais belas; mas não tingem o resto do corpo.
As mulheres americanas não tingem o rosto e o corpo de seus filhos apenas de negro, mas de várias outras cores, especialmente uma que se assemelha ao boli armênio. Essa última tinta é fabricada de uma terra gorda como a argila, que dura por espaço de quatro dias. As índias pintam-se as pernas com uma tinta de cor igual ao boli armênio, de modo que, ao vê-las de longe, julgar-se-á que estão metidas em belas calças de fina estamenha preta.
(André Thevet - Singularidades da França Antártica - 1557)
segunda-feira, 7 de novembro de 2005
Despedida (Acompanhando um amigo)
A verde montanha se estende para além da Muralha Norte.
Brancas águas cercam a Muralha Leste.
Quando aqui nos separamos,
sereis a erva aquática vogando para grandes distâncias.
As nuvens errantes me farão pensar em quem viaja.
O sol poente me recordará o antigo amigo.
Já vos afastais e acenamos com as mãos.
Nossos cavalos, um para o outro, relincham tristemente.
A verde montanha se estende para além da Muralha Norte.
Brancas águas cercam a Muralha Leste.
Quando aqui nos separamos,
sereis a erva aquática vogando para grandes distâncias.
As nuvens errantes me farão pensar em quem viaja.
O sol poente me recordará o antigo amigo.
Já vos afastais e acenamos com as mãos.
Nossos cavalos, um para o outro, relincham tristemente.
(Li Po)
Prazeres de uma noite de verão
Afastamo-nos da montanha azul e a lua nos acompanha.
O orvalho torna pesada as mangas de nossa roupa.
Voltamo-nos para avaliar a distância percorrida:
mas uma bruma esbranquiçada afoga o campo.
De mãos dadas, aqui estamos diante da casa rústica
onde os amigos nos esperam.
Agora caminhamos ao longo de uma alameda bordada de bambus
que nos roçam, quando passamos.
Estamos todos reunidos! Que felicidade!
Servem-me vinho perfumado. Canto a canção do "Vento nos Pinheiros".
Os rouxinóis, as rãs e os insetos cantam também, ao mesmo tempo.
Afastamo-nos da montanha azul e a lua nos acompanha.
O orvalho torna pesada as mangas de nossa roupa.
Voltamo-nos para avaliar a distância percorrida:
mas uma bruma esbranquiçada afoga o campo.
De mãos dadas, aqui estamos diante da casa rústica
onde os amigos nos esperam.
Agora caminhamos ao longo de uma alameda bordada de bambus
que nos roçam, quando passamos.
Estamos todos reunidos! Que felicidade!
Servem-me vinho perfumado. Canto a canção do "Vento nos Pinheiros".
Os rouxinóis, as rãs e os insetos cantam também, ao mesmo tempo.
(Li Po)
quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Luz Negra
Sempre só
Eu vivo procurando alguém
Que sofra como eu também
E não consigo achar ninguém
Sempre só
E a vida vai seguindo assim
Não tenho quem tem dó de mim
Estou chegando ao fim
A luz negra de um destino cruel
Ilumina o teatro sem cor
Onde estou representando o papel
De palhaço do amor
(Nelson Cavaquinho, Amâncio Cardoso)
quinta-feira, 22 de setembro de 2005
quinta-feira, 8 de setembro de 2005
IV
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres mais medo de morrer.
E então serás eterno.
XXVIII
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres mais medo de morrer.
E então serás eterno.
XXVIII
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
(Cânticos - Cecília Meireles)
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